Quer Vencer? Treine, treine, treine.

Um dos momentos de maior alegria em minha carreira ocorreu em janeiro de 1984. De passagem pelo Rio de Janeiro, onde aguardava uma conexão no Aeroporto Internacional Tom Jobim, recebi, durante um jantar que estava o presidente do Touring Club do Brasil – José Luis Magalhães e o chefe da equipe Touring Rali - Sérgio Cunha, o inesperado convite para ser o piloto oficial da equipe naquele ano, que contava, ainda, com o importante apoio da GM. Inesperado porque era novato no esporte. Havia recém vencido o campeonato brasileiro de rali de velocidade e regularidade na extinta categoria novatos no ano anterior e contava com apenas um ano e meio de experiência no rali. De qualquer forma, o pessoal do Touring acreditou em meu potencial e fez o convite naquela histórica noite. Sem pestanejar, minha resposta foi um entusiasmado sim.

 

 

Todavia, mal sabiam eles que eu estava extremamente preocupado com um detalhe: o carro que seria utilizado pela equipe: Chevette! Eu sequer havia guiado um Chevette de rua em minha via, quanto mais, um de corrida!

 

Na mesma noite liguei para o Edson Segantini, que preparava meus carros na época, para procurar o quanto antes um Chevette de pista para que eu pudesse “aprender” a guiar um carro de tração traseira na terra.

 

De volta a Curitiba em fevereiro colocamos faróis e as placas no carro - que era de pista - e começamos os treinamentos.

 

Entre duas a três vezes por semana, após as aulas na faculdade à noite, eu e alguns amigos íamos para estradas vicinais de Curitiba para treinar. Volta e meia eu também subia a famosa serra da Graciosa. Como naquele tempo (1984) não havia muita gente morando no mato perto de Curitiba, eu treinava forte, de capacete e com cinto de segurança, em estradas abertas! Isso foi feito durante os três meses que precederam a abertura do campeonato. Acredito que o esforço tenha compensado, pois vencemos 3 das seis provas, ficamos em segundo em outras duas e o pior resultado fora um terceiro lugar. E o recorde da subida da Graciosa nos pertence até hoje. Marcamos o dobro de pontos que o segundo lugar e mais pontos que o segundo e terceiros lugares somados! Sem dúvida foi uma grande temporada.

 

Logicamente que nos dias de hoje treinar com estrada aberta é impraticável! Todavia, isso não é motivo para não se treinar.

 

A você, que está começando no rali, aconselhamos o seguinte:

• Leve sempre seu navegador nos treinos e faça levantamento do trecho a ser treinado, para ir habituando-se à navegação e ao seu navegador.

• Feche dois pontos de uma estrada, para que você possa fazer o treino nos dois sentidos, aumentando assim a distância do trecho e treinando curvas para os dois lados.

• De preferência, treine a noite, pois o trabalho do navegador será mais importante e a dupla vai dar um refinamento à graduação das curvas e referências.

• Sempre treine de capacete e com cinto de segurança bem ajustado.

• Escolha preferencialmente trechos sinuosos, pois em retas não há o que ser treinado.

• Não se preocupe com velocidade e sim com a técnica e segurança da tocada. Você deve andar rápido sem brigar com o carro e sem levar sustos!

• Documente os treinos. Tipo de pneu, calibragem, condições do piso, tempos, etc. Assim, quando você fizer um novo treino, poderá avaliar sua evolução.

 

Tão importante quanto fazer um treino seguro é não assustar a população. Por isso, faça o levantamento com carro de passeio e devagar, como deve ser feito nas provas oficiais, e avise as pessoas que moram nas casas o que está acontecendo, evitando assim desgastar a imagem do esporte.

 

E a vocês, pilotos e navegadores, que estão começando neste apaixonante esporte, minhas sinceras boas-vindas e votos de um ótimo campeonato.

 


Sady Bordin, 49 anos, é co-piloto da Trip Linhas Aéreas, palestrante, professor e consultor de marketing.

Depoimentos

Estou muito contente por ter encontrado um livro como este. Foi muito útil para mim e ajudou muito na minha carreira profissional.

Iracy